sexta-feira, 2 de junho de 2017

Bem sabíamos que seria diferente

Hoje pela manhã foi realizada a oficina sobre Fiódor M. Dostoiévski, dessa vez com a turma 302. E se foi diferente da atividade de segunda-feira? Sim, ela foi. Mesmo com as mesmas propostas, sabíamos que seria diferente. Professores do ensino médio poderiam opinar, é difícil quando uma atividade sai completamente como planejada. E não há defeito nisso. Só há necessidade de adequação do ministrante, como foi o caso do nosso grupo hoje. Se o debate está ótimo e os estudantes estão participando ativamente com perguntas, estão interessados, por que não seguir dessa maneira?
A atividade em si mesma já foi comentada no post anterior. E o que a difere da segunda-feira com a 301, não é só o horário. Pois os momentos são diferentes antes e após o recreio. Queiramos ou não. É também o andamento do plano em geral. Hoje, começamos às 7:30 com a atividade. Os alunos nos ouviram e falaram no momento certo. Foram educados e participativos.
Os participantes não foram questionados sobre a possibilidade de fazer filosofia a partir da obra literária. Sabemos que os escritos de Dostoiévski, Kafka, Machado de Assis e tantos outros possibilitam o filosofar. A pergunta foi se há possibilidade de associação da obra com o contexto sociocultural atual; e se eles conseguiram relacionar o problema em questão de “Memórias do Subsolo” com alguns dilemas apresentados na série “Os 13 Porquês”. Com vistas assim, a notar e refletir sobre a contribuição do autor ao nosso presente e o à humanidade.
A obra literária possibilita interpretações diferentes. Isso é contribuição na certa para a discussão, já que cada um terá uma visão sobre a história e seus acontecimentos. Em textos mais sistemáticos de filosofia, não há tanta brecha assim, o assunto é mais focado e talvez acabe sendo direcionado. É diferente discutirmos uma situação e discutirmos uma posição. Ainda bem que a filosofia abarca ambas.

Logo, postaremos no blog as fotos das atividades com os terceiros. Na semana que vem tem mais da filosofia com literatura e é a vez de Goethe e a obra-prima alemã Fausto. Além disso, novos projetos estão por vir. Como é o caso do famoso RPG da Grécia antiga, que está sendo reeditado. Um bom final de semana!

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Segunda-feira

Segunda-feira passada, na escola São Caetano, tivemos uma oficina filosófica diferente com a turma 301. Dando seguimento ao projeto Literatura e Filosofia do nosso grupo, o autor abordado em sala de aula foi o escritor russo Fiódor M. Dostoiévski. Como proposta, a obra "Memórias do Subsolo" relacionada com problemas contemporâneos. Afinal de contas, por que a opinião do outro exerce tanta importância sobre nosso agir? Diante do outro, as vezes parecemos nos mostrar de formas diferentes daquilo realmente somos. Já parou pra pensar?
Assistimos alguns trechos da série "13 Reasons Why", do serviço de streaming da Netflix, relacionados com a temática. Num deles uma personagem tem medo daquilo que os outros poderiam pensar sobre ela, e por isso acaba prejudicando quem está ao seu redor. A série estava na ponta da língua de muitos estudantes, o que favoreceu o grupo na hora da conceitualização. 
Tentamos relacionar a obra com a vertente filosófica do Existencialismo. O personagem anti-herói de Dostoiévski reflete sobre sua existência e a existência daqueles que estão ao seu redor. Sobre o mundo e a humanidade. Por que então decide ser recluso da sociedade? Na série a questão é outra. Todavia ela não distancia-se do problema do outro. O outro que é livre, que não sou eu, que vê tudo diferente.
A oficina foi a estréia da colega e nova bolsista Caroline Franchesca numa atividade do PIBID no São Caetano. Um início de semana cheio de novidades. E amanhã tem mais!

domingo, 14 de maio de 2017

Responsabilidade em debate!


Vou lhes dizer… que escrever sobre o que as mentes pensantes tem discutido nos corredores da escola São Caetano não é fácil e nem bater fotos é fácil. Em outro recreio, uma nova pergunta. O que é responsabilidade? A pergunta foi como as demais… Parece boba, mas não é… ela é difícil. O que é… Novamente não eram válidos os exemplos.
“É fazer aquilo que se tem de fazer.” Eis uma resposta que começou o debate. Mas a próxima foi a que colocou fogo no debate entre três mentes pensantes que estavam no corredor naquele recreio. “Responsabilidades são as obrigações que temos de cumprir.” Aí meus amiguinhos a coisa ficou entre se as responsabilidades são as obrigações ou se derivam das obrigações?
Então vamos analisar as possibilidades? (ANTES DE SEGUIR O TEXTO PENSE NAS POSSIBILIDADES E ESCOLHA O SEU TIME).
Se responsabilidades são obrigações então toda a obrigação nos é responsabilidade. Isso seria equivalente a dizer que tudo o que nos for imposto por nós ou por outros teremos a responsabilidade sobre a obrigação. Parece complicado? Também acho…
Mas e se a responsabilidade vir posterior as obrigações? Bom, então a responsabilidade é fruto do comprimento ou não das obrigações sejam elas postas a nós por quem for.
E… se a responsabilidade não tem nada haver com as obrigações? Ou se ela vir antes! (PAUSA DRAMÁTICA PARA MAIS UMA REFLEXÃO ONDE O LEITOR NÃO SABE MAIS EM QUE MUNDO ESTÁ).
A solução é muito simples… (mentira não é minha intenção responder, fiquem cultivando a dúvida). Entretanto, contudo, todavia, mas, porém, no entanto, ainda assim, apesar disso, não obstante, nada obstante, sem embargo, conquanto, vos trago uma reflexão sobre isso de um filósofo brilhante Immanuel Kant!
Vejam este trecho que está em um artigo escrito intitulado “O que é o Iluminismo?” de 1784:

Iluminismo é a saída do homem da sua menoridade de que ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de se servir do entendimento sem a orientação de outrem. Tal menoridade é por culpa própria, se a sua causa não residir na carência de entendimento, mas na falta de decisão e de coragem em se servir de si mesmo, sem a guia de outrem. Sapere aude! Tem a coragem de te servires do teu próprio entendimento! Eis a palavra de ordem do Iluminismo.”

(Que pedreira de ler…) Este é o primeiro parágrafo do artigo. Kant fala de uma culpa, esta é a de não ser o responsável por si mesmo, ou não se guiar de acordo com aquilo que você mesmo pensa. Somos responsáveis pela nossa menoridade. Em seguida Kant nos trás que é muito mais fácil ficar na menoridade. Pois nela, alguém sempre vai me dizer o que fazer, logo basta fazer. Alguém vai me dizer como devo me vestir, logo basta seguir o modelo. Alguém vai me dizer o que pensar, logo basta não pensar… só imitar…
Não vou falar de todo o texto aqui. Pois semana que vem a pergunta será, como saímos da menoridade? Será que as obrigações permitem isso? Ou será que é quando nos tornamos responsáveis de cada ação nossa? Será que isso é possível?

domingo, 7 de maio de 2017

Do Boy Magia à Profissão Bem Sucedida

Meu relato sobre mais um recreio onde brinco de Sócrates começa com alguns detalhes que devem ser ressaltados. Pois nesta segunda vez o recreio foi atrapalhado bem menos… Foi selecionado um grupo de alunas… Que aqui não cabe ser citado, nem mesmo a camiseta do rapaz que estava na quadra. Este que era o alvo daquele grupo que o calorosamente estava analisando…
E quando chego, mudo o objeto de análise. Se na semana passada era a rebeldia, neste tratei de forma um pouco ampla das questões que surgem. Que questões? Sim, eu leio mentes. Que carreira seguir após a escola? Qual é o seu medo sobre o futuro? Você sabe o que realmente gosta de fazer? E os namoradinhos?
A juventude é uma fase de indecisões (o que se agrava se a pessoa for libriana, não podia perder a piada), mas mostra como são diversos os caminhos que podem ser seguidos. Ver como um grupo de jovens se posiciona sobre si e sobre o seu futuro é diferente. Diferente em relação a mim que perdi esse tipo de encarar o mundo. Mas há no olhar delas um algo que às escapa.
Eu as perguntei, dentre de muitas coisas, “quando se viram como adultas, devido a alguma responsabilidade que as impressionou?” (Posso ter usado outra linguagem… não lembro, mas esta ficou mais bonita.) As suas respostas foram muito próximas… Nunca se sentiram assim. Não vou mentir, fiquei abismado e intrigado.
Sei que na adolescência existe muitas pressões de diversos lados. Pois a cada passo que se dá a responsabilidade pelo próximo passo começa a cada vez mais ser de cada um. Isso no começo parece uma pressão imensurável na cabeça de cada um… Mas na verdade pode ser exatamente onde há uma leveza na responsabilidade. Pois por mais que tropece ainda tem de ser dado o próximo passo.
Nesta fase, como eu disse, surgem muitas dúvidas. As garotas refletiram sobre si e sobre seus futuros (e sobre um rapaz também… ). Mas o que é essa responsabilidade afinal? Isto verei no próximo recreio em que colocarei umas cabeças para pensar!

Etapa pré-olímpica PIBID UFRGS: Ensino de Filosofia e a oficina sobre ancestralidade

              Essa oficina ocorreu na Escola Estadual Lidovino Fantón, localizada num bairro de periferia em Porto Alegre. Nesse sentido a realidade contextual do ambiente vivenciado é de certa disparidade econômica, social e cultural no que tange uma relação a outras partes da cidade mais elitizadas. Percebeu-se no discurso dos estudantes durante a oficina essa preocupação com sua realidade, pois, com efeito, essa ambiente é comumente visto como problemático perante a sociedade. Isso se justifica pelas drogas, roubos, situação econômica difícil. Em virtude disso a linha argumentativa da professora que ministrou oficina foi algo mais ligado a dualidade opressor e oprimido, tendo em vista indagar sobre o que o segundo grupo faz para sair de tal quadro, já que o considera problemática.                
            Foram usados recursos metodológicos como vídeos, imagens, um semicírculo, bastante diálogo-exposição, música. Uma crítica póstuma a ser feita aos professores da escola que participaram da oficina foi de que eles intervieram na discussão muitas vezes, por meio de argumentos muitos elaborados para o entendimento dos estudantes. Isso se tornou um problema pelo fato de que o público alvo eram os estudantes, sendo que tal atitude gerou inibição nos mesmos. Percebeu-se que se os professores estão argumentando de tal modo, como eles sendo meros estudantes poderiam se expressar de outra forma, quiçá mais produtiva e reflexiva.  Embora, a oficineira tenha tentado clarificar as questões e torná-las mais inteligíveis aos presentes. Ocorrendo uma espécie de tradução.                                      
               “Tudo tem história. Nós somos seres históricos”. Esta foi uma frase dita pela condutora da oficina no meio de sua apresentação, além de ter sido o aspecto principal de sua linha de argumentação e condução das dinâmicas. Isso nos instiga a indagar o que o homem é o homem; como funciona a relação agir-pensar nesse ser; negando a ideia de uma história estática, por meio de uma natureza imutável no que tange a ser dada a priori. Ao invés disso o que temos é a ênfase na alteridade, também na cultura como fator de diferenciação entre as pessoas e sociedades. O cuidado em entender a forma como se estabeleceu a alteridade, ou a falta dela, historicamente visando demonstrar aos estudantes que o outro tem de ser respeito em suas subjetividades foi ressaltado também. Dessa forma, a verdade é muito mais histórica e contingente, do que algo que se estabeleceu de forma pronta. Num sentido além tal argumento pretendeu estimular os estudantes a questionarem suas realidades.                           
                O tipo de vida que levam a maioria dos estudantes, por estar ligado a uma situação econômica difícil pode ser transformado, sendo que está carregado de diversos tipos de violência simbólica, física, cultural? Todas as indagações culminaram para esse rumo de investigação. Embora, não através de uma pergunta tão incisiva como essa. Podemos pensar sobre a natureza humana também, sendo ela boa ou mal, constituída ou já destinada?              
              A alteridade não teve uma explicação densa, ate pelo nível de estudo dos estudantes. No entanto, a ideia de outro e a decorrente preocupação com ele, apareceu na problematização. Excepcionalmente quando a professora utilizou algumas formatações diferentes do mapa mundo, uma vez que indagou se existe apenas uma forma de interpretar as coisas, se aquela formatação não poderia ser algo eurocêntrico. Nesse sentido, a colonização e a posterior exploração dos povos latino-americanos foram pormenorizadas, mediante elementos ligados a riqueza que foi retirada das Américas; o enriquecimento da Europa; a exploração do trabalho indígena; as diversas mortes nas guerras de conquista; se tornaram linhas de raciocínio para pensar que a história das Américas, por exemplo, ocorreu de uma certa forma, e por isso hoje temos várias coisas que são da forma que se apresentam. Logo, não se trata de atraso mental. A alteridade foi um aspecto pouco presente nesse contexto, pois, com efeito, houve muito pré-conceito, inferiorização do outro, negação de gênero/sexualidade, subjugação da diversidade.                                                                            
                Em suma, a dualidade do trabalho da professora recaiu sobre o fazer e o pré-dado. O que não se muda, e o que pode ser transformado através da ação e pensando humano. Nesse sentido é possível uma ambivalência entre o material e o imaterial? Como ficam os sentimentos, a vida, num mundo tomado pela ênfase exacerbada no dinheiro? A vida que vale a pensa ser vivida, que é digna possui formula exata? A cultura tem veio de ser fator importante na constituição do caráter, da personalidade? Através da recorrência aos nossos ancestrais, efetuando um percurso histórico até a atualidade e uma aproximação com a realidade dos estudantes da escola da restinga se efetuou a oficina.



Essas são fotos da oficina que ocorreu na escola Lidovino Fantón no sábado dia 05/05/2017.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

O Espelho Esboço de uma nova teoria da alma humana

 Obra rica em conteúdo reflexivo leva o seu interlocutor a pensar sobre seus apegos exteriores, a forma como é visto e como sua própria vida é dependente disso.
 Quem não gosta de bons elogios?
 Quem não sente orgulho quando é reconhecido?
 Quais as implicações disso?
 Através do personagem Jacobina, Machado de Assis relata uma experiência da juventude do personagem vivendo uma forma exterior de vida, em que Jacobina não compreendia mais a própria realidade se não fosse através da sua própria imagem.
 Machado demonstra através de um relato do personagem Jacobina as duas almas que existem em cada ser humano. "Uma que olha de dentro pra fora e outra que olha de fora para dentro". Com isso apresenta um conteúdo extremamente filosófico que implica na necessidade do ser humano em não só compreender o exterior, mas também de fazer o exterior compreender o interior de cada um.

 O grupo PIBID de filosofia irá trabalhar esse texto com os terceiros anos do colégio São Caetano nos dias 15/05/2017 e 19/05/2017.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

O que é rebeldia? Um recreio diferente.

    Não farei um textão (EU FIZ... ME JULGUEM!). Acalmem o coraçãozinho de vocês. Mas vou apontar algumas coisas que me passaram despercebidas pelo tema um tempo atrás. No meu tempo, minha mãe era linha dura na minha infância. (Eu não era um queridão também...) E quando eu pensava em responder eu sentia uma “tamanca” na minha face... Passou um tempo e eu cresci (2 cm a mais de altura). E meu irmão, que é bem mais novo, na minha frente respondeu algo para a minha mãe. Eu em um lapso de tempo já estava calculando quanto iria sair o funeral do pobre coitado por tamanha heresia... Resultado nada o aconteceu... Fiquei perplexo.
     Um tempo passa e a maturidade vêm (Homens com maturidade mito ou realidade? Sexta no Glob...). Então tu escuta a tua mãe e uma música de 76 que há um trecho que é o seguinte:

“Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais”

     Música cantada pelo fanho Belchior na música “Como os nossos pais”. E que junto com a minha mãe me fez perceber que toda a rebeldia que temos, fizemos e muitos ainda farão. Não passa de uma etapa de nosso desenvolvimento. Ela precisou criar uma leva de “bacuris” para entender. Sem nenhum estudo filosófico sobre o desenvolvimento da personalidade ou sobre a rebeldia.
Temos a rebeldia e ela é necessária para nós. O afrontamento a um paradigma (ordem) vem com uma necessidade de nos estabelecermos no mundo. De mostrarmos quem somos. De mostrar o que queremos. Os pensadores entrevistados me deram muitas perspectivas muito boas. “Contrariar algo”.      Minha pergunta sacana foi para que? Uma resposta foi “para nos destacarmos em determinado grupo, sermos melhores que os outros.” Depois de uma longa reflexão sobre isso pensei algo... Bom se temos que provar que somos melhores que outros então somos fracassados, pois eu não sou igual ao outro e me comparar a qualquer um que seja sempre será injusto com os relacionados. (roubei do bigode do Nietzsche essa ideia).
     Se é para sermos melhores que seja o melhor de nós mesmos. Outra pergunta seria é necessária a rebeldia? E trago outra música!

“Minha mãe até me deu essa guitarra
Ela acha bom que o filho caia na farra
E o meu carro foi meu pai que me deu
Filho homem tem que ter um carro seu
Fazem questão que eu só ande produzido
Se orgulham de ver o filhinho tão bonito
Me dão dinheiro prá eu gastar com a mulherada
Eu realmente não preciso mais de nada

Meus pais não querem
Que eu fique legal
Meus pais não querem
Que eu seja um cara normal

Não vai dar, assim não vai dar
Como é que eu vou crescer sem ter com quem me revoltar
Não vai dar, assim não vai dar
Pra eu amadurecer sem ter com quem me rebelar”

     A rebeldia na percepção do Ultraje a Rigor é que ela é necessária para a maturidade. Não que essa música seja uma verdade absoluta que não levante dúvidas... Mas a falta de coisas que nos são essenciais nos desperta a rebeldia. E rebeldia não é qualquer tipo de revolta. Farei algo que comentaram durante a minhas questões. “O que está no dicionário?”

“ato de rebelar-se; não conformidade; reação.”

     Será que não está na hora de buscarmos uma maturidade? Uma “bem grande”? Assim termino, com uma indireta de ouro!